Energia Limpa no Brasil

22

O SR. RICARDO IZAR Bloco/PSD-SP. Pronuncia o seguinte discurso.

– Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, volto a esta tribuna para lamentar o ocorrido recentemente no Município de Serra Negra, Estado de São Paulo.
Há menos de um mês, o Prefeito Antonio Luigi Italo Franchi autorizou o corte de aproximadamente cem árvores exóticas e centenárias, como pinos e figueiras, sob o pretexto do progresso a todo custo, numa demonstração clara de irresponsabilidade e descaso.
Apesar de o terreno ser particular e estar, segundo os seus proprietários, fora da área de preservação permanente, os prejuízos são muito grandes para a população e, sobretudo, para o meio ambiente. A área abriga sete importantes nascentes, que poderão ficar seriamente afetadas, pois sem as raízes das árvores, a água da chuva não será absorvida, reduzindo drasticamente o nível do lençol freático. Por mais absurdo que possa parecer, Serra Negra é conhecida como a cidade das águas e da saúde. Novamente o homem privilegia o capitalismo em detrimento do meio ambiente. Um passivo que dificilmente será pago, pois a natureza leva anos para se recompor o que os gananciosos destroem em minutos. Não tenho dúvidas de que o ocorrido em Serra Negra comprometerá esse belo título.
O local será destinado à construção de um loteamento e de um centro de convenções. O frescor da mata dará lugar ao calor do concreto. A dúvida da população agora é apenas uma: quem ganha com a degradação? O povo, logicamente é que não é. Quais os verdadeiros interesses? Somente a Prefeitura poderá responder a tantas dúvidas.
Os serra-negrenses foram saqueados. O mais doloroso é que a Prefeitura tenta minimizar o fato, alegando que os donos do terreno plantarão novas mudas. Mas, será que eles plantarão também a história das pessoas? Claro que não! Não há mais como compensar os prejuízos.
O lugar era conhecido como mágico e de muita paz. Todas as manhãs e ao final da tarde tucanos e corujas se amontoavam nas enormes copas das árvores fazendo uma sinfonia particular para os seus admiradores. Ninhos foram perdidos e o turismo já está sendo afetado. O Bosque do Gurupiá foi destruído friamente pelos capitalistas de plantão, apoiados pelo Prefeito Antonio Luigi.
Que pena, Prefeito!
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje gostaria de pontuar rapidamente sobre um tema de suma importância para o País nas próximas décadas: a geração de energia limpa. Não falarei especificamente da já renomada energia proveniente de biomassa, a qual é resultado da extraordinária produção sucroalcooleira em todo o País, em especial no interior paulista.
Na condição de Coordenador para o Sudeste da Frente Parlamentar em Defesa do Consumidor de Energia Elétrica e Combustível, trago a esta Casa tema referente ao uso de um recurso ainda pouco explorado, a energia eólica. O Brasil tem um potencial imenso para este tipo de fonte energética, que é limpa e segura. Para ilustrar isso podemos levantar quatro dados, os quais obtive por meio da ABEEólica, que demonstram a importância do uso desta alternativa de fonte energética:
– ocupa tão somente entre 3% e 4% do território total das fazendas em que são instaladas;
– não utiliza quantidades significativas de água para manutenção e utilização da mesma, somente é necessária para a etapa de concretagem durante a construção;
– dentro de um parque de geração o mesmo cabeamento para condução da energia elétrica gerada pode ser utilizado para a utilização de energia solar;
– é uma alternativa para renda adicional em regiões de baixa produtividade do solo.
Outro fator que merece ser ressaltado é que cidades de nações de todos os graus de desenvolvimento já começaram a fazer uso de energia eólica até mesmo em grandes regiões urbanas, por meio de pequenos propulsores no topo de edifícios e residências, uma tecnologia inovadora, cujo uso pode ser de grande valia para o Brasil.
O Brasil deu inicio nos anos 1990 a projetos no Nordeste e no Sul do País, mas o real potencial do Brasil está muito aquém de seu limite. Apesar dos recentes benefícios fiscais dados pelo Governo para aqueles que atuam diretamente no setor, são necessário estudos para a ampliação destes benefícios e até mesmo a perpetuação deles. Tais benefícios poderiam ser estendidos para a importação, todavia, deve-se buscar como objetivo central a instalação destas indústrias no Brasil.
Por fim, Sr. Presidente, os entraves e os problemas na infraestrutura ainda são imensos, mas não há dúvida de que um dos caminhos para o Brasil unir responsabilidade socioambiental e suprir a crescente demanda energética nacional passa pelos ventos, passa pela energia eólica.
Muito obrigado.