Saiba como fazer compostagem, a reciclagem da natureza

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Recentemente, o projeto de impacto social Meu Bairro Sustentável (meubairrosustentavel@outlook.com) integrou a compostagem na sua linha de atuação através de parcerias que culminam em ações conjuntas entre os ambientalistas Guilherme Campos (Organokits) e Ramon Porto (Compostonautas), através de palestras e oficinas em empresas, associações e escolas.

Organokits e Compostonautas incentivam juntos a compostagem e a agricultura urbana, promovem o reaproveitamento de baldes plásticos industriais muito utilizados no ramo alimentício, além de outras técnicas adequadas para aproveitamento produtivo de pequenos espaços.

Foi de fato marcante a participação dos representantes dessas duas iniciativas, juntamente com o projeto Meu Bairro Sustentável, no último Festival da Sustentabilidade. Entraram na programação oficial do evento com oficinas diárias, ofertaram kits de compostagem com minhocas e teve até o sorteio de um kit completo no último dia do evento.

Interessados no empreendedorismo social e responsável, Ramonzito e Guilherme reconhecem a composteira como uma tecnologia social e por isso nunca se negam a ensinar como fazer uma. Apesar disso, são procurados por pessoas que desejam adquirir os kits prontos e decorados.

Entre as opções de decoração estão, para os mais ecológicos, a pintura utilizando tintas à base de água e/ou revestimento com lona reaproveitada de banners. Para os já contentes com a própria função ecológica da composteira, porém preocupados com a composição estética do equipamento, eles também oferecem revestimento em vinil com estampas variadas ou customizadas.

Para aprender um pouco mais sobre a compostagem, o conceito e a prática, vamos conversar com o Guilherme e com o Ramon para conhecer melhor sobre essa maravilhosa reciclagem da natureza.

“ORGANOKITS”

Guilherme, o que é compostagem?

É o processo de transformação da matéria orgânica em adubo (composto orgânico) através da relação nitrogênio-carbono-oxigênio. É considerada uma espécie de reciclagem do lixo orgânico, pois o adubo gerado pode ser usado na agricultura industrial, hortas domésticas, jardins etc.

Quais os benefícios da compostagem?

Em primeiro lugar, redirecionar a matéria orgânica produzida: do aterro sanitário para o canteiro ou vaso de plantas. Em segundo, evitar a contaminação dos recicláveis, que, limpos, têm sua capacidade de reciclagem potencializada. Outro fator é a dignidade do trabalhador que fará a coleta e a separação.

Como fazer a compostagem doméstica?

Através da composteira com o uso de minhocas, nossas heroínas. A Eisenia fétida, ou minhoca californiana, acelera o processo da compostagem, transformando rapidamente a matéria orgânica em húmus.

Como funciona a composteira?

É muito simples. Pode ser feita artesanalmente, adquirida no mercado ou em iniciativas como a Organokits, em Friburgo. Consiste em três estágios, e podem ser feitas com baldes ou caixas. O uso de baldes plásticos é a forma mais econômica, fácil de arranjar em padarias. A composteira necessita de três baldes, um para cada estágio. Os dois primeiros servem como depositários da matéria orgânica e o terceiro, para coleta de chorume (o líquido residual). Neste último será necessária a instalação de uma torneirinha para facilitar a coleta do chorume, usado também como fertilizante. Em 40 dias obtém-se, a partir da matéria orgânica (que possivelmente seria descartada para um aterro sanitário, poluindo o meio ambiente), um excelente composto orgânico (adubo) para a nutrição de plantas, seja de uma horta ou ornamentais. Além, é claro, de transformar três baldes plásticos em eficientes colaboradores da natureza.

Por que a compostagem é sustentável?

Porque forma-se um ciclo permanente de transformação dos restos de alimentos em nutrientes para o cultivo de novos alimentos, diminuindo o desperdício, potencializando a produção, mitigando o uso de fertilizantes químicos e, como consequência, levando produtos mais saudáveis à nossa mesa.

“OS COMPOSTONAUTAS”

Um grupo de entusiastas da compostagem da internet vem compartilhando experiências nas redes sociais acompanhadas da hashtag #compostonautas. Na metáfora proposta pelo técnico ambiental e idealizador do projeto, Ramon Porto, a cabeça do compostonauta costuma estar na nuvem (cloud computing), os dedos no mouse ou na tela e seus pés, na terra (de preferência cheia de minhocas).

Ramonzito, como você iniciou esse projeto?

O projeto começou reunindo num grupo do WhatsApp praticantes da compostagem entre meu círculo de amigos a partir da doação de seis composteiras no fim do ano passado, durante a edição de natal do Mercado Central. Na ocasião, o requisito para receber a composteira era o compromisso de publicar na rede o equipamento funcionando, com a hashtag #compostonautas. A partir dali o projeto agregou outros interessados em começar a compostar seus resíduos em casa e também a atrair parceiros motivados a apoiar e dar nova dimensão à iniciativa. Instituto Pindorama, Trilhas do Araçari, Meu Bairro Sustentável, Chácara da Harmonia, Mercado Central, o Minhocário Cardinot, Agenda 21 de Nova Friburgo, Elas Ecomodas e Organokits são nossos principais parceiros.

Quais resíduos podem ser colocados na composteira, quais devem ser evitados e quais não devem ser colocados de jeito nenhum?

Você pode colocar na composteira cascas e restos de frutas e ovos, legumes e verduras, borra e filtro de café, lembrando que toda vez que você colocar na composteira o resíduo orgânico (nitrogênio), você deve colocar uma mesma quantidade de carbono (serragem ou podas de grama, por exemplo), para ativar o processo correto de decomposição e, assim, também controlar a umidade e evitar mau cheiro. Deve-se evitar colocar na composteira cítricos (casca de laranja, por exemplo), alimentos cozidos e saladas temperadas. E nunca colocar na composteira carnes e alimentos gordurosos, que podem ser convertidos em alimentos para animais.

Então, nem todos os resíduos da cozinha podem ser compostados?

Sim e não. Quando falamos de compostagem acelerada com as minhocas, devemos lembrar dessas restrições básicas. Basicamente porque as minhocas são sensíveis ao ambiente ácido decorrente da compostagem desses alimentos “proibidos”. A regra maior é que todo alimento que se decompõe pode ser compostado. O que vai variar é o processo adequado para os vários grupos de alimentos. Para se ter uma ideia, da maneira adequada, pode-se compostar inclusive a borra de óleos e gorduras residuais.

Por que usar minhocas na compostagem?

A compostagem com as minhocas é popular por ser realmente efetiva em acelerar o processo e entregar um composto que é em geral de ótima qualidade (o famoso húmus). Ela se adapta muito bem ao sistema fechado das composteiras mais comuns e é, portanto, campeã em popularidade quando falamos de compostagem doméstica. No entanto, a compostagem pode ocorrer de forma natural sem a adição dos agentes aceleradores, obviamente levando mais tempo.  Mas existem outros agentes aceleradores, como os mix de enzimas e bactérias  disponíveis no mercado e, minhas preferidas, as larvas da mosca soldado negra (Hermetia illucens). A grande vantagem desses dois últimos é a decomposição daqueles alimentos proibidos para as minhocas. Então, a escolha do agente acelerador varia também de acordo com a gama de resíduos que a pessoa pretende colocar na composteira.

O que fazer com o chorume?

Pode ser utilizado como um excelente biofertilizante, diluído na proporção 1/10 de água e borrifado nas plantas ou jogado diretamente na raiz.

E se a composteira der mau cheiro?

Mau cheiro é sinal de que algo está errado. Você deve então corrigir o processo com um pouco mais de carbono (serragem e podas de grama) ou se certificando de não adicionar alimentos inadequados ao seu tipo de composteira.

 

Fonte: A Voz da Serra – Por Renata de Rivera